Fotografia explicada, ensinada, aprendida...
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terça-feira, 6 de julho de 2010

Retoque Digital


Até onde podemos ir com o Retoque Digital? Sou um grande entusiasta do Photoshop - trabalho com ele há, pelo menos, 10 anos. Acredito muito em sua "mágica", mas sem exageros. Uma coisa que sempre ensino a meus alunos de Photoshop e Fotografia é que aqui se aplica a máxima "Menos é Mais"! Sempre leciono que devemos aprender a fotografar e a ser um fera em Photoshop para usar ao mínimo possível essa ferramenta.

Aprender para não usar? SIM!

O aprendizado em Photoshop para fotografia vem para corrigir mínimos erros, efetuar pequenos reparos (retoques) que não puderam ser feitos no momento em que se obteve o 'registro pela luz'.

Hoje, o Photoshop é uma das ferramentas básicas do workflow de um fotógrafo de Moda, Retrato, Beleza, Book, Gestantes, Arquitetura e outros. Conhecer bem esta ferramenta lhe permite saber com precisão quais possíveis limitações e erros cometidos no momento do registro que deverão ser corrigidos na pós produção (edição de imagens no programa escolhido). Dessa forma, como o fotógrafo não vai querer ficar passando mais algumas horas em frente ao micro, tratando no Photoshop, muitos problemas acabam sendo resolvidos na hora de fotografar pelo fotógrafo experiente no Photoshop, de modo que ele evite o posterior enfrentamento daquela imagem em programa de edição. Em outras palavras, o cara fica mais esperto na hora de fotografar, porque não vai querer ficar mais algumas 'horinhas' em frente ao PC, corrigindo erros cometidos.

- Então, se o cara for muito bom em Photoshop, não precisará usá-lo nunca?

- Sem exageros, por favor! O Photoshop não está aqui só para minimizar/eliminar os erros e/ou limitações do momento fotográfico. Também serve para eliminar distrações desnecessárias como alguns cravos, espinhas, leve olheira de noite sem dormir, uma 'levezinha' endireitada em um 'culotezinho', ...

- ...uma tatuagem?

- Talvez. É para Publicidade onde o produto é mais importante que a pessoa retratada?

- Não... a mulher é famosa e tem uma tatuagem característica que todos conhecem e vai sair na capa de uma revista.

- Pelo amor de Deus! Não tirem essa Tatuagem!!!!


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Fotógrafo e Diretor de Arte desatentos - Contracapa do Brasília Em Dia

A Contracapa da Revista Brasília Em Dia veio com um anúncio de um shopping de Brasília. O tal Brasília Shopping é do grupo do Vice Governador do DF, o suspeito Paulo Octávio.

Pois é... não é só a imagem dele que anda ruim na praça não. O anúncio ao lado, feito pela Gabinete C, agência de publicidade daqui, peca em dois aspectos por parte do Diretor de Arte da agência e por um, por parte do Fotógrafo.

O Fotógrafo não foi atento: ao dirigir a modelo, deveria prestar atenação na mão da beldade. A posição da mão é um dos importantes aspectos que o fotógrafo deve dirigir, deve observar, deve corrigir.

No presente caso, a bela posicionou os dedos como em um aceno de "vai tomar..." naquele lugar.

Tal assunto, e sua importante relevância, é tratado em um livro muito bom, o qual farei apresentação melhor depois: "BOOK - Direção de Modelos para Fotógrafos", do Billy Pegram, editado no Brasil pela Editora PHOTOS (que está fazendo um belo trabalho de tradução de boas obras do ramo).

Os erros do Diretor de arte na agência de publicidade foi não perceber esse detalhe da mão e fazer um recorte malfeito do cabelo e no cotovelo (observem a deformidade do cotovelo com duas pontas) da moça ao aplicá-la ao fundo desejado. O recorte do cotovelo foi tosco. Não que o recorte de cabelo seja uma coisa fácil de se fazer; dá trabalho, mas vamos lá, né? Não é difícil também. Se quer fazer a fusão de imagens, aprenda afazê-la de forma satisfatória...

CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA AMPLIADA

Erra o fotógrafo, erra a agência, sofre o cliente. Bem feito! Isso é bom para que o mercado comece a se comportar de forma a valorizar melhor os fotógrafos e os diretores de arte, que muitas vezes são a ponta fraca onde estoura a bomba.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Capa de Veja - Photoshop e Conhecimentos de Fotografia


Sempre falo para meus alunos de Photoshop que para a pessoa desenvolver suas habilidades nesse software tem que aprimorar sua linguagem visual. Não basta saber operar o programa, deve conhecer os conceitos básicos envolvidos no estudo da Fotografia. Ora, PHOTOshop veio da FOTOgrafia. Se o cara se propõe a fazer uma intervenção FOTOgráfica, subentende-se que ele tenha conhecimentos técnicos (pelo menos básicos) dessa área.


CAPA DE VEJA DE 13 de Janeiro de 2010 - Edição 2147
Errou quem teve uma boa ideia, porém uma má execução. Errou em um princípio básico de iluminação: a sombra.
O imagemaker, ao fazer a montagem de um Pen Drive aproximando-se da entrada USB na testa do jovem, não observou o sentido da iluminação (e, consequentemente, da sombra formada) na fotografia do rapaz e escolheu justamente o 50% errado! A sombra do pen drive na testa do cara poderia ser projetada deslocada para a esquerda ou para a direita: escolheu o lado errado. Que azarado... Nota-se que ele não fez uma leitura da diração da luz na fotografia e, na hora do chute, ainda chutou errdado!


LEITURA DA ILUMINAÇÃO
O imagemaker deveria ter observado a posição da luz no rosto do rapaz segundo indícios presentes na imagem. Facilmente observamos dois:
  • o brilho de luz na íris indica o reflexo de onde o flash estava situado (à direita do fotógrafo);
  • a sombra resultante no rosto do rapaz revela a direção da mesma.
Os olhos são a janela da alma. Revelam de tudo, inclusive a iluminação utilizada pelo fotógrafo. Muitas vezes podemos perceber toda a iluminação que o fotógrafo utilizou simplesmente observando os reflexos constantes na íris do fotografado. Façam o teste. É bem legal! Ao analisarmos o brilho no lado esquerdo da íris do fotografado (à direita do fotógrafo/observador), sabemos que a sombra será formada no lado oposto, na face direita do fotografado (à esquerda do fotógrafo/observador).

Já com relação à sombra, podemos sempre fazer uma leitura da iluminação utilizada na fotografia por meio da observação de como a sombra está projetada na cena fotografada. Se a sombra está à direita, as demais sombras devem permanecer também à direita, pois o foco de luz que projeta a sombra é o mesmo. Sendo assim, se estamos vendo a sombra sendo projetada na face direita do rosto do fotografado (assim como em seu olho e na testa sob o cabelo), as demais sombras (a do pen drive na testa, por exemplo) deverão respeitar essa regra física, sendo projetadas também à direita na face do fotografado.

Não é a primeira vez que vejo grosserias dessas sendo cometidas em capas de Veja e outras revistas. O bom de elas ocorrerem é que nós sempre aprendemos com elas, não é mesmo?



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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Capas da Playboy




- Cara, como será a arte da capa da revista esse mês?
- Não faço nem ideia. E o chefe está no meu cangote para eu resolver isso logo!
- Ah.. como foi a capa da Playboy desse mês nos EUA?
- Assim, ó!
- Mas é de natal... Como está na época de férias, praia, verão aqui no Brasil, vamos fazer essa ideia com um fundo de praia!
- Tcharan!


Acho que esse foi o diálogo na criação da capa de Playboy desse mês.
Observe a composição: modelo capa com seu biquini sendo puxado. Toque o papai noel pelo cachorro da praia. Faz uma montagem mais ou menos da foto feita em outra locação (provavelmente estúdio). E trabalho feito!

Sinceramente, não gostei! Não sei ao certo definir o que ficou tosco: o conceito, a montagem, o fundo quase irreal, se a sombra malfeita que entregou tudo. Sei que ficou meio toscona e isso não saiu da minha cabeça. Tanto não saiu que eu acabei descobrindo de onde veio a mazela: Capa da Playboy norte-americana do mês passado.

Pelo menos a deles ficou legal...